Poucas perguntas são tão importantes para a fé cristã quanto esta:
Jesus é Deus?
A resposta do cristianismo histórico é sim.
Mas essa resposta precisa ser explicada com cuidado.
Quando os cristãos afirmam que Jesus é Deus, não estão dizendo que Jesus é o Pai ou que o Pai e o Filho são simplesmente a mesma pessoa.
A fé cristã ensina que existe um único Deus e que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são distintos entre si e, ao mesmo tempo, participam da única natureza divina.
Essa doutrina é conhecida como Trindade.
Mas de onde vem essa afirmação?
A resposta está principalmente nas próprias Escrituras.
João começa seu Evangelho falando sobre Jesus de uma maneira surpreendente
O Evangelho de João não começa apresentando Jesus simplesmente como um mestre, profeta ou líder religioso.
Ele começa falando sobre o “Verbo”:
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.”
Poucos versículos depois, João deixa claro quem é esse Verbo:
“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós.”
João está apresentando Jesus como aquele que existia antes de sua vida terrena e que entrou na história humana.
Portanto, desde o início do Evangelho, Jesus é colocado em uma posição muito maior do que a de um simples homem escolhido por Deus.
Jesus existia antes de nascer em Belém
Um dos aspectos importantes da apresentação bíblica de Jesus é sua existência anterior ao nascimento.
Em João 8, Jesus faz uma declaração que provocou uma reação extremamente forte de seus ouvintes.
Ele afirma:
“Antes que Abraão existisse, eu sou.”
Abraão havia vivido muitos séculos antes de Jesus.
Portanto, Jesus não estava simplesmente dizendo que existia antes de sua própria geração.
Ele estava fazendo uma afirmação sobre sua existência anterior a Abraão.
A expressão “Eu sou” também é significativa dentro do contexto bíblico e ajuda a explicar por que essa declaração causou tamanha reação.
“Eu e o Pai somos um”
Em João 10, encontramos outra declaração importante.
“Eu e o Pai somos um.”
Essa afirmação não significa que Jesus estivesse dizendo que Ele e o Pai eram a mesma pessoa.
O próprio Evangelho de João mantém uma distinção entre o Pai e o Filho.
Mas Jesus está afirmando uma unidade extraordinária com o Pai.
E a reação de seus ouvintes mostra que eles entenderam que sua declaração era muito mais séria do que uma simples afirmação de concordância.
Tomé chamou Jesus de Deus
Depois da ressurreição, um dos discípulos inicialmente duvidou que Jesus realmente tivesse ressuscitado.
Quando encontrou Jesus e reconheceu que Ele estava vivo, Tomé respondeu:
“Senhor meu e Deus meu!”
Essa é uma das declarações mais diretas do Novo Testamento.
Tomé não apenas chama Jesus de “Senhor”.
Ele o chama de “Deus meu”.
E Jesus não repreende Tomé por essa declaração.
Pelo contrário, responde falando sobre a fé daqueles que creriam mesmo sem vê-lo da mesma maneira que Tomé viu.
Jesus recebeu adoração
Outro elemento importante aparece repetidamente nos Evangelhos.
Pessoas se prostraram diante de Jesus.
Ele recebeu honra e adoração em situações nas quais personagens bíblicos normalmente recusavam esse tipo de tratamento quando direcionado a eles próprios.
Em Mateus 14, depois que Jesus anda sobre as águas, os discípulos o adoram e dizem:
“Verdadeiramente tu és o Filho de Deus.”
A questão não era simplesmente que Jesus realizava milagres.
Sua identidade estava no centro da narrativa.
Jesus fazia coisas que pertencem à autoridade de Deus
Os Evangelhos também apresentam Jesus exercendo autoridade de maneiras extraordinárias.
Ele perdoa pecados.
Ele afirma ter autoridade para julgar.
Ele declara ter autoridade sobre o sábado.
Ele dá vida.
Ele acalma tempestades.
Ele ressuscita mortos.
Esses acontecimentos não significam isoladamente que qualquer pessoa que realize um milagre seja Deus.
Mas, no conjunto dos Evangelhos, essas ações fazem parte da maneira como Jesus é apresentado como alguém que possui uma autoridade única.
Jesus perdoava pecados
Um episódio particularmente interessante está em Marcos 2.
Um homem paralítico é levado até Jesus.
Em vez de começar dizendo que Ele estava curado, Jesus declara:
“Filho, perdoados estão os teus pecados.”
Os escribas questionaram imediatamente:
“Quem pode perdoar pecados, senão Deus?”
A pergunta deles toca exatamente no ponto.
Jesus então cura o homem, demonstrando sua autoridade.
O episódio não apresenta Jesus apenas como alguém que pede a Deus para perdoar.
Ele próprio declara o perdão.
Paulo também apresenta Jesus como divino
A compreensão da divindade de Cristo não aparece apenas nos Evangelhos.
As cartas do Novo Testamento também apresentam Jesus de maneira elevada.
Em Colossenses 2:9, Paulo escreve:
“Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.”
Essa afirmação é extremamente forte.
Paulo não está dizendo que Jesus possui apenas algumas características de Deus.
Ele fala da plenitude da divindade habitando nele corporalmente.
Jesus é chamado de Deus em Hebreus
Hebreus também apresenta uma visão elevada sobre o Filho.
Ao falar sobre Jesus, o autor cita o Antigo Testamento e utiliza uma linguagem que identifica o Filho em termos divinos.
“O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre.”
O objetivo da passagem é mostrar a superioridade do Filho.
Jesus não é apresentado como simplesmente mais um profeta ou mensageiro.
Ele está acima dos anjos e possui uma posição singular.
Se Jesus é Deus, por que Ele orava ao Pai?
Essa é uma das perguntas mais comuns.
Se Jesus é Deus, por que Ele orava?
Por que dizia que o Pai era maior?
Por que Jesus foi enviado pelo Pai?
Essas perguntas fazem sentido.
E justamente por isso precisamos evitar uma explicação simplista.
Jesus não é o Pai.
O Novo Testamento apresenta claramente uma relação entre o Pai e o Filho.
Jesus ora ao Pai.
O Pai envia o Filho.
O Filho fala com o Pai.
O Espírito Santo também aparece como distinto do Pai e do Filho.
Ao mesmo tempo, o Novo Testamento atribui ao Filho aquilo que pertence à divindade.
É dessa combinação de verdades que surge a formulação cristã da Trindade.
Jesus é Deus, mas não é o Pai
Essa frase ajuda a evitar uma confusão muito comum.
Jesus é Deus.
O Pai é Deus.
O Espírito Santo é Deus.
Mas não existem três deuses.
Existe um único Deus.
E o Pai, o Filho e o Espírito Santo são distintos entre si.
A Bíblia não apresenta uma fórmula simples em um único versículo explicando toda a doutrina da Trindade.
A doutrina surge da necessidade de reunir diferentes afirmações bíblicas:
- Existe um único Deus.
- O Pai é Deus.
- O Filho é Deus.
- O Espírito Santo é apresentado como divino.
- O Pai, o Filho e o Espírito Santo são distintos.
A teologia cristã posteriormente utilizou a palavra “Trindade” para organizar essas afirmações.
Jesus também foi plenamente humano
A afirmação de que Jesus é Deus não elimina sua humanidade.
Esse é outro ponto essencial da fé cristã.
Jesus nasceu.
Sentiu fome.
Sentiu sede.
Ficou cansado.
Chorou.
Sofreu.
Morreu.
Ao mesmo tempo, o Novo Testamento apresenta sua natureza divina.
Por isso, a fé cristã afirma que Jesus Cristo é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem.
Por que isso importa?
Talvez alguém pergunte:
“Tudo bem, mas por que é tão importante saber se Jesus é Deus?”
Porque isso muda completamente a compreensão do evangelho.
Se Jesus fosse apenas um grande professor, sua morte seria apenas a morte de um homem admirável.
Se Jesus fosse apenas um profeta, precisaríamos enxergar sua missão principalmente como a transmissão de uma mensagem recebida de Deus.
Mas se Jesus é verdadeiramente Deus que se fez homem, então sua vinda ao mundo assume uma dimensão completamente diferente.
“O Verbo se fez carne”
João 1 resume essa realidade de maneira extraordinária.
Aquele que estava com Deus e era Deus entrou na história humana.
Isso significa que o cristianismo não apresenta Jesus simplesmente como alguém que encontrou o caminho até Deus.
Apresenta Jesus como aquele que veio revelar Deus aos seres humanos.
Por isso Jesus poderia dizer:
“Quem me vê a mim vê o Pai.”
Isso não significa que Jesus seja o próprio Pai.
Significa que Ele revela perfeitamente o Pai.
Jesus não é apenas alguém que aponta para Deus
Os profetas diziam:
“Assim diz o Senhor.”
Jesus frequentemente falava de uma maneira diferente:
“Eu, porém, vos digo...”
Ele falava com uma autoridade singular.
Chamava pessoas para segui-lo.
Declarava ser o caminho, a verdade e a vida.
Afirmava que ninguém chega ao Pai senão por Ele.
Sua mensagem estava inseparavelmente ligada à sua própria identidade.
O cristianismo não adora simplesmente um homem extraordinário
Essa é uma distinção fundamental.
Jesus foi um homem histórico.
Nasceu em Belém.
Viveu na região da Judeia e Galileia.
Foi crucificado.
Mas a fé cristã afirma que aquele homem é também o Filho eterno de Deus que assumiu natureza humana.
Por isso os primeiros cristãos não tratavam Jesus apenas como um mestre morto cuja memória deveria ser preservada.
Eles proclamavam:
“Jesus Cristo é Senhor.”
E colocavam sua morte e ressurreição no centro da esperança cristã.
A resposta da Bíblia
Então, Jesus é Deus?
Quando observamos o conjunto das Escrituras do Novo Testamento, a resposta é clara:
Sim.
João apresenta o Verbo como Deus.
Tomé chama Jesus de “Deus meu”.
Paulo afirma que nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.
Hebreus apresenta o Filho em linguagem divina.
Jesus afirma uma unidade singular com o Pai.
Ao mesmo tempo, as Escrituras deixam claro que Jesus e o Pai não são a mesma pessoa.
É justamente por isso que a compreensão cristã de Deus não é simplesmente “Jesus é o Pai”.
A afirmação é mais profunda:
Há um único Deus, e Jesus Cristo, o Filho, participa plenamente da natureza divina.
Mais do que uma questão teológica
Essa pergunta não deveria permanecer apenas no campo da discussão teológica.
Se Jesus é realmente Deus, então suas palavras não podem ser tratadas simplesmente como opiniões de um antigo mestre.
Seu chamado para segui-lo ganha outro peso.
Sua morte ganha outro significado.
Sua ressurreição ganha outra dimensão.
E sua pergunta aos discípulos continua sendo uma das mais importantes da história:
“E vós, quem dizeis que eu sou?”
Talvez essa seja a pergunta que realmente importa.
Não apenas:
“Jesus é Deus?”
Mas:
“O que eu faço com aquilo que a Bíblia afirma sobre quem Jesus é?”
Porque, se Jesus é quem as Escrituras dizem que Ele é, conhecê-lo não é apenas adquirir informação.
É uma questão que envolve toda a nossa vida.